Capítulo III Os Oito Pilares
As virtudes não nascem em nós nem por natureza nem contra a natureza, mas adquirimos a capacidade de recebê-las pela natureza, e tornamo-las perfeitas pelo hábito.
— Aristóteles, Ética a Nicômaco, II, 1
Este é o capítulo mais longo do manual, e o que o jogador mais voltará a consultar. Os oito Pilares apresentados aqui são a matéria do jogo. Cada um descreve uma dimensão da vida humana em que a virtude se cultiva — corpo, vontade, afeto, ver, decidir, laços, obra, sentido. Cada um tem estrutura interna detalhada: três virtudes clássicas que o compõem, dois vícios entre os quais a virtude se equilibra, relação com o Daimon, atividades práticas para o dia a dia, e escala de manifestação em sete níveis.
Não tente ler todos os oito de uma vez. Leia um, deixe descansar, volte depois para o seguinte. Os Pilares pedem absorção, não consumo. Você vai voltar a este capítulo muitas vezes, e a cada releitura vai encontrar camadas que não tinha visto.
A ordem dos Pilares não é arbitrária. Vai de dentro para fora — do corpo ao sentido, do mais próximo de você ao que mais o excede. Esta ordem reflete uma intuição estrutural: você precisa do Vigor para sustentar a Têmpera, da Têmpera para construir a Equanimidade, dos três primeiros para que a Clareza tenha onde se exercer, da Clareza para que a Prudência decida bem, das cinco primeiras para que a Presença seja inteira, do conjunto para que o Ofício se cumpra com cuidado, e de tudo isso para que o Sentido tenha base sobre o qual se assentar. Você pode trabalhar em qualquer ordem, e a vida real não respeitará esta sequência. Mas a sequência existe, e tem sua lógica.